Na chuva do Teatro Sérgio Cardoso, só não se molha quem não quer
‘Cantando na Chuva’ faz temporada no Teatro Sérgio Cardoso de 4 de abril a 16 de junho

‘Cantando na Chuva’ dá ao seu espectador — ou diria, à sua plateia — o que promete: uma homenagem do teatro ao cinema.
Essa característica ‘transmídia’ tão peculiar ganha, na mão de John Stefaniuk, ares de continuidade. Por cada quadro ser pensado como uma cena de filme, o diretor sabe exatamente onde cortar uma e começar a próxima. Ao mesmo tempo, esse enquadramento subjetivo cria posicionamentos de cena questionáveis, contidos, quase sempre nas laterais do palco; explorando pouco o centro do cenário.
E que cenário! James Kronzer cria a atmosfera perfeita de galpão, típica dos estúdios da época em que situa-se a obra. O uso do polêmico telão é mais do que inteligente, necessário e adequado : é diegético; Bruna Junqueira, a designer de projeções, faz de uma simples lona uma tela de cinema.
Isso porque nela são exibidas apenas as principais cenas de Lina Lamont, interpretada por Fernanda Muniz; que pode bater no peito e afirmar que cumpre seu ofício com excelência. Comumente reconhecida como uma das melhores bailarinas do teatro musical, não economiza no quão farsesca, escrachada e brilhantemente pantomímica sua Lina pode ser — e no quanto atriz é, usando pouco de suas habilidades já reconhecidas. E isso lhe garante o destaque principal da peça. Ela, assim como sua personagem, é um centro de holofotes e rouba todas as cenas que está; inclusive as com as ótimas interpretações de Rodrigo Garcia(Don Lockwood) e Gigi Debei (Kathy Selden).
Quem não fica para trás, mas em um tipo de destaque diferente, é Mateus Ribeiro, no papel de Cosmo Brown. Talvez, invertendo o esperado, o ator surpreende o público com sua dança e sapateado — que nunca foi uma dificuldade, mas agora é o centro das atenções. Claro, Mateus mantém seu timing cômico, improvisando nos momentos mais bem selecionados.
O que orna os elementos tão bem como o ator é a orquestra. A condução de Adriano Machado é suave, gentil, e deixa todos os instrumentos brilharem. Por estranho que seja, a maestria de tal maestro está nessa compreensão sobre sua banda, tornando cada um dos seus componentes protagonistas.
Cantando na Chuva está no Teatro Sérgio Cardoso, com sessões de quarta, quinta e sexta às 20h; e de sábado e domingo às 15h e 19h30. Os ingressos, a partir de R$19,80, estão disponíveis no Sympla (clique aqui para ir para a página).